Pediram-me para dizer algumas palavras no momento em que tomo posse de Presidente do Instituto de Investigação Científica Tropical. Aproveito a oportunidade para referir quatro pontos, dois relativos ao passado e dois relativos ao futuro.

 

Primeiro, exprimir gratidão.

Ao governo, por ter aprovado no passado mês de Novembro uma lei orgânica que preserva a integridade do IICT através de uma estrutura flexível - a concretizar num decreto regulamentar em preparação – e de uma missão lusófona explícita.

À Senhora Ministra, por ter anunciado a minha nomeação durante a reunião dos Ministros da Ciência e Tecnologia da CPLP, realizada no Rio de Janeiro em princípio de Dezembro.

Ao Senhor Secretário de Estado, por ter aceite concentrar centros de actividades no Palácio Burnay, concentração que uma Resolução do Conselho de Ministros de 1978 já cominava.

 

Segundo, agradecer à Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa todo o apoio que me prestou nas actividades desenvolvidas no Centro de Socio-Economia desde que, há vinte anos atrás, o falecido Prof. Alfredo de Sousa sugeriu o meu nome ao Prof. Cruz e Silva, cuja presença amiga agradeço.

Ainda ontem, no Conselho Científico da Faculdade, os colegas me desejaram boa sorte em promover a “nova economia” no IICT.

 

Terceiro, e já falando do futuro, merece ter uma dimensão lusófona o acompanhamento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio por várias organizações internacionais e por centros de investigação científica públicos e privados.

Nessa linha, o IICT pode reflectir sobre a interacção entre globalização e governação post-Monterrey e post-Joanesburgo, na perspectiva dos mercados emergentes e das economias que recebem ajuda externa. Trata-se de promover o  bem comum, respeitando as liberdades e pertenças dos portugueses.

Investigadores de várias disciplinas científicas reconhecem que, cada vez mais, economia global é tropical. Cada vez mais, desenvolvimento é conhecimento e inovação.

Nos próximos anos, poderemos estudar o desenvolvimento rural, incluindo a segurança alimentar, e as florestas, incluindo a gestão dos riscos, contribuindo assim para a cooperação científica e tecnológica internacional.

O interesse, relacionado, pela cooperação empresarial baseada no conhecimento revela-se na parceria público-privada que o Centro de Desenvolvimento da OCDE levou a cabo em Moçambique e que tenciono continuar no Fórum Empresarial de Cabo Verde e no Fórum Económico sino-lusófono de Macau.

É um tema para a sessão inaugural do Conselho de Orientação, onde têm assento entidades públicas e privadas.

 

O quarto e último ponto tem a ver com o património acumulado desde a criação da Comissão de Cartografia em 1883, passando pela Junta de Investigações do Ultramar até aos nossos dias.

Este ponto refere-se ao futuro porque o espólio continua mal conhecido e deve ser aberto à comunidade internacional, como recomendaram os Ministros da CPLP.

O património inclui não só o Arquivo Histórico Ultramarino mas também o Jardim Museu Tropical, de que a cidade deve, em segurança, poder desfrutar.

Aliás, dando seguimento às nossas bem sucedidas exposições, queremos mostrar livros científicos em Luanda já durante este ano de convergência para a nova missão.

Palácio das Laranjeiras, 5 de Fevereiro de 2004